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LA NIÑA CHEGANDO - TEMPORADA DE FURACÕES E IMPACTOS NO BRASIL

BRASIL há 2 meses

Como todos nós sabemos, o sistema climático mundial está em constante movimento, tentando encontrar um equilíbrio que jamais será alcançado. Uma dessas mudanças de equilíbrio vem sendo observado atualmente no Oceano Pacífico Tropical Oriental (ENSO), onde vem mostrando um resfriamento da superfície do oceano. Atualmente estamos em uma neutralidade, onde a temperatura da superfície do oceano está dentro da média. O que se sabe até agora é que poderemos entrar em um evento de La Ninã até final do ano de 2020.


Se você não quer entender melhor como funciona todo o desenvolvimento de El Niño e La Niña, basta ir para o final desta matéria onde é falado sobre os furacões e impactos no Brasil


Para entender de forma mais complexa, recomendamos um artigo de análise e impactos oceânico globais publicado cerca de um mês atrás pela Severe Weather. Esse artigo descreve as três áreas oceânica importantes a serem observadas de perto, sendo a região ENSO (Oscilação do Sul de El Niño) no Oceano Pacífico tropical a área mais famosa do mundo, no que diz respeito aos impactos climáticos globais. A ENSO têm um forte impacto no clima de quase todo o mundo. A ENSO é subdividida em 4 regiões, onde a principal é a região ENSO 3.4, onde o objetivo é determinar e calcular suas fases (imagem abaixo).

De acordo a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration), ENSO é a abreviação de "El Niño Southern Oscillation". El Niño e La Niña são as fases quentes e frias de um padrão climático recorrente no Pacífico tropical - a oscilação El Niño-Sul, ou "ENSO" para abreviar. O padrão pode mudar de um lado para outro irregularmente a cada dois a sete anos, e cada fase desencadeia interrupções previsíveis de temperatura, precipitação e ventos. Essas mudanças interrompem os movimentos aéreos em larga escala nos trópicos, desencadeando uma cascata de efeitos colaterais globais.


Nas condições atuais do ENSO, levando com base a previsão mais recente, revela anomalia negativa em desenvolvimento nas regiões centrais do ENSO. A segunda imagem mostra as águas mais frias nas regiões do ENSO, vistas como uma faixa de cores mais brilhantes, indo para o oeste da América do Sul através do Pacífico equatorial.

A série cronológica de análise mostra que a região ENSO 3.4 (a partir da qual calculamos as fases) estava principalmente na fase neutra-quente nas últimas semanas, mas agora começou a esfriar. Essa é uma indicação precoce de que o regime nos trópicos logo mudará, pois a fase de ENSO geralmente começa quando nos aproximamos do verão (Hemisfério Norte).

Também produzimos uma análise das temperaturas abaixo da superfície nas regiões ENSO, observando a atividade algumas centenas de metros abaixo da superfície. Temos uma comparação das anomalias de abril e a previsão para meados de maio. Em abril, podemos ver que as águas mais quentes ainda estavam presentes perto da superfície nas partes orientais. Mas um mês depois, por volta de meados de maio, essas águas mais quentes quase desapareceram e águas mais frias e profundas subiram em direção à superfície. Este é um forte indicador de que há muita água mais fria que o normal abaixo da superfície, pronta para subir e iniciar completamente um evento de La Niña.

Atualmente, as previsões tendem para uma fase negativa (a La Niña) à medida que entramos no inverno e primavera. A primeira imagem abaixo mostra a previsão do modelo NASA GEOS-5 da anomalia de temperatura na região ENSO 3.4. Podemos ver que no final do inverno, ele já está abaixo de -0,5°C, que é o limite para La Niña, se mantido. Atinge -1°C no final do ano, o que tornaria este um evento moderado de La Niña.


A segunda imagem é do sistema multi-modelo NMME, mostrando a anomalia de temperatura da superfície do mar prevista para o final de 2020 (outubro-novembro-dezembro), revelando um evento frio ENSO (La Niña) totalmente desenvolvido.

Um La Niña geralmente está associada a uma atividade mais forte de furacões no Atlântico, aumentando o risco de landfall e danos em muitas ilhas nas regiões tropicais e também nas costas dos EUA. Um evento de La Ninã tem um impacto específico nos padrões de pressão e na circulação tropical, proporcionando condições favoráveis para os sistemas tropicais se energizarem enquanto se deslocam para o Atlântico tropical. O primeiro gráfico abaixo mostra o padrão de temperatura da superfície do mar tropical durante anos de furacão de categoria 5. Podemos ver que mostra temperaturas negativas na região do ENSO, indicando um La Niña como a fase mais favorável do ENSO. Também mostra temperaturas mais quentes no Atlântico tropical e no Golfo do México. O segundo gráfico é a previsão de vários modelos, que mostra exatamente a mesma imagem para a Temporada de furacões 2020. Se essa previsão se concretizasse, provocaria preocupações reais com a temporada de furacões, pois poderia ser novamente mais forte.

O problema de um La Niña é que ele fornece condições favoráveis ​​para a temporada de furacões no Atlântico, reduzindo o cisalhamento do vento, permitindo que tempestades tropicais se organizem e fornecendo águas mais quentes para combustível suficiente. Essa é uma combinação perigosa. Essas condições não são causadas diretamente pelas temperaturas mais frias do ENSO, mas devido ao estado de circulação global que ajudou a desenvolver um La Niña em primeiro lugar. Portanto, também podemos considerar os ciclos do ENSO como um "indicador" para o estado da circulação tropical (e, conseqüentemente, global).

Como um evento de La Niña geralmente pode durar até o próximo ano, também tem um impacto importante no clima de inverno. Abaixo está uma imagem que mostra o padrão de pressão médio durante invernos fracos a moderados em La Niña. A assinatura clássica de um La Niña é o forte sistema de alta pressão no Pacífico Norte. Também podemos ver uma pressão mais alta sobre as regiões polares. Isso é realmente favorável para as condições de inverno, pois significa menor pressão nas latitudes médias e transporte de ar frio para a Europa, como visto na segunda imagem, que mostra anomalias de temperatura. Também podemos ver o ar mais frio do Alasca, oeste do Canadá e norte dos Estados Unidos. Mas precisamos acrescentar que há muito mais em ação durante o inverno do que apenas a fase ENSO. Temos a circulação climática geral e a dinâmica estratosférica do vórtice polar (que foi muito forte este ano).


CONCLUSÃO


De acordo com o climatologista da Somar Meteorologia, Paulo Etchichury, "El Niños tendem a ter um diagnóstico mais demorado e com áreas de aquecimento mais concentradas. O que vemos no segundo semestre é de 90% de probabilidade para um resfriamento do oceano e de 70% a 80% da configuração total de um La Niña. Isso poderá impactar em 100% nas safras futuras.


O La Niña diminui a quantidade de chuvas do litoral do Chile, Peru e Equador, pois com o aumento da velocidade dos ventos alísios, a formação de nuvens acaba dispersa em direção à Oceania e Indonésia. A Austrália, por exemplo, possui um aumento considerável de suas chuvas durante a ocorrência do La Niña. A pesca, em contrapartida, é favorecida no litoral leste do Oceano Pacífico, junto à América do Sul, o que pode ser explicado pelo fortalecimento das altas pressões, que fazem os ventos soprarem com maior intensidade, deslocando as águas superficiais e fazendo com que os nutrientes e fitoplâncton localizados em águas mais profundas aproximem-se da superfície, o que é chamado de ressurgência. Através da ressurgência, os cardumes são atraídos para as águas superficiais, oferecendo benefícios para nações pesqueiras como o Chile e o Peru. No Brasil, o La Niña provoca estiagem nas regiões Centro-Oeste, Sudeste e principalmente Sul. No Nordeste e na Região Amazônica são verificados aumentos na intensidade das estações chuvosas, podendo até mesmo justificar cheias mais expressivas de alguns rios amazônicos e de enchentes mais vigorosas no litoral nordestino. Tomando como referência o último evento La Niña, ocorrido entre os anos de 2010 e 2012, é possível verificar algumas de suas consequências para o clima e a economia, em especial para as atividades agrícolas. No caso da produção de cana-de-açúcar, a redução das chuvas no Centro-Sul ajudou a diminuir a safra desse cultivo, o que também pôde ser sentido no aumento dos preços do etanol, combustível fabricado a partir da cana. Cabe destacar que o aumento dos preços do etanol não está relacionado apenas ao fenômeno La Niña, mas sim a uma combinação de fatores, como a expansão da demanda pelo combustível, incremento da fabricação de veículos “flex” e das exportações de etanol realizadas pelo Brasil. A produção de soja brasileira, apesar de manter seu processo de expansão, também foi limitada pelas estiagens provocadas pelo fenômeno La Niña no período destacado. Até os Estados Unidos, país que conta com uma agricultura moderna e de precisão, tiveram prejuízos em sua produção de trigo praticada nas planícies do Sul graças às secas relacionadas ao La Niña.


Texto traduzido do site Severe Weather, sendo acrescentado algumas informações do site Brasil Escola.UOL e outros detalhes importantes pela Conexão GeoClima.


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