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SAÚDE E DOENÇA | Ele cuida há 12 anos da mulher em estado vegetativo e diz que amor o move

BRASIL há 10 meses

Na alegria e na tristeza, na saúde e na doença”. Há 12 anos, o servidor público Adílio Bezerra, 54, passa pela provação de cumprir o juramento feito nos votos de casamento. Em 2007, a mulher dele, a professora Gláucia, sofreu um AVC e ficou em estado vegetativo persistente. Em depoimento ao VivaBem, ele conta como cuida dela e afirma que nunca vai desistir.

“Eu e a Gláucia nos conhecemos na Paraíba, em 1986, na rádio onde eu trabalhava como radialista. Com um mês de namoro, ela, que já era mãe de uma menina, me contou que estava grávida do ex-namorado. Ela achou que eu fosse terminar, mas assumi as crianças e depois tivemos mais dois meninos. Oficializamos a união em 1992.

Nós levávamos uma vida normal, até que tudo mudou na madrugada do dia 18 de setembro de 2007. A Gláucia acordou como de costume para ir ao banheiro. Ela levantou passando mal, pálida e com dificuldade de respirar. Ela desmaiou e nós fomos para o hospital. Chegando lá, ela teve uma parada cardiorrespiratória e o cérebro delRotinaa ficou comprometido com a falta de oxigênio. Ela foi entubada e diagnosticada com um AVC isquêmico de ponte.
Os médicos me chamaram e informaram que ela não tinha mais do que dez horas de vida. Eu fiquei sem chão e chorei bastante.

Tinha certeza que ela ia morrer, até me preparei para enterrá-la. Voltei para casa abatido, contei para um vizinho o que tinha acontecido e ele me encorajou a confiar em Deus. Minha fé reacendeu e eu passei a crer no impossível.

O prognóstico não se cumpriu, minha esposa sobreviveu, mas ficou em estado vegetativo persistente. Ela não fala, não anda, não escuta e perdeu todos os movimentos. Ela respira através da cânula traqueal e se alimenta por sonda. A Gláucia ficou internada no hospital cinco anos, três meses e três dias. Abandonei o emprego na rádio e mantive só o cargo de funcionário público para ter mais tempo com ela. Aprendi com os enfermeiros a trocar fralda, a dar banho, a depilar a área pubiana e a fazer a aspiração traquéia.

Rotina em diário
No dia 21 de dezembro de 2012, ela recebeu alta e nós fomos para casa. Nós não temos homecare, eu montei uma estrutura simples e faço tudo por conta própria com a ajuda dos nossos dois filhos. Eles são bastante presentes e participativos nos cuidados com a mãe.


Todos os dias, um deles vem me ajudar a dar banho nela. Eu durmo em um colchão ao lado da cama hospitalar dela. Quando ela acorda, eu digo bom dia, falo qual a data, dia da semana, ano, se ela vai receber alguma visita. Eu tenho um diário onde registro todas as atividades que fiz com ela —horário em que ela urinou, evacuou, em que mudei ela de posição na cama.

fONTE UOL


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