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Janja classifica críticas a gastos de viagens como “misoginia”; Júlia Zanatta rebate: “Quem paga é o povo”

A primeira-dama do Brasil, Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, e a deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) protagonizaram um embate público sobre a fiscalização de gastos governamentais e os limites da crítica política.

A declaração de Janja e as justificativas de viagem

Durante entrevista ao programa Frente a Frente, promovido pelo portal UOL e pelo jornal Folha de S.Paulo, Janja foi questionada sobre o impacto de suas agendas internacionais e as recorrentes cobranças por maior transparência nos custos de suas viagens.

A primeira-dama classificou as críticas que recebe como “misoginia pura”, argumentando que adversários políticos costumam atribuir a ela, individualmente, as despesas de comitivas inteiras do governo federal.

Para justificar o padrão de suas viagens, Janja apresentou os seguintes pontos:

  • Segurança: Afirmou que viaja em classe executiva por recomendação e exigência de segurança da Polícia Federal (PF).

  • Alojamento: Declarou que, sempre que possível, a comitiva opta por se hospedar em embaixadas brasileiras nos países de destino para reduzir custos.

  • Transparência: Defendeu que sua agenda oficial é pública e classificou os ataques como uma estratégia política coordenada para desgastar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A reação de Júlia Zanatta e o alerta sobre o PL da Misoginia


A deputada federal Júlia Zanatta rebateu as declarações da primeira-dama, defendendo que a cobrança pelo uso de recursos públicos é uma prerrogativa constitucional do parlamento e dos cidadãos.


“Criticar seus gastos não é misoginia. É dever, porque quem paga é o povo”, afirmou a parlamentar catarinense.

Zanatta também correlacionou a fala de Janja com o debate em torno do Projeto de Lei 896/2023, popularmente chamado de “PL da Misoginia”. Segundo a deputada da oposição, a tentativa de rotular críticas administrativas como preconceito de gênero acende um alerta sobre como a futura legislação poderia ser aplicada na prática.

A parlamentar argumenta que, se aprovada sem critérios extremamente claros, a lei que criminaliza a misoginia corre o risco de ser instrumentalizada para:

  1. Censurar adversários políticos e silenciar debates de oposição.

  2. Dificultar a fiscalização de gastos públicos promovida por parlamentares, pela imprensa ou pela sociedade civil sob o pretexto de defesa de gênero.

O embate reflete a polarização contínua no Congresso Nacional entre a defesa de pautas de proteção às mulheres e o receio da oposição de que tais mecanismos jurídicos limitem a liberdade de expressão e o controle social da administração pública.

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