A Polícia Federal deflagrou a Operação Polaridade com o objetivo de desarticular uma organização criminosa especializada em fraudar processos administrativos para aquisição e registro de armas de fogo no sistema Sinarm-CAC. A ação visa o cumprimento de 46 mandados judiciais — 20 de prisão e 26 de busca e apreensão — expedidos para endereços no Estado do Rio de Janeiro e no município de Vila Velha, no Espírito Santo.
As investigações tiveram início após a identificação de graves inconsistências em requerimentos analisados na Delegacia da PF em Niterói (RJ)
. Os levantamentos apontaram a participação direta de um colaborador terceirizado do Núcleo de Armas da corporação, responsável por aprovar solicitações irregulares.
Entre os abusos identificados estão a aprovação de registros sem a documentação obrigatória, o uso de comprovantes de residência falsificados, a repetição de arquivos entre solicitantes distintos e adulterações em laudos técnicos exigidos por lei
.
O esquema viabilizou a aquisição legalizada de armamentos — inclusive de uso restrito — por indivíduos que não preenchiam os requisitos legais. A gravidade da fraude se confirma com a descoberta de que armas registradas por meio desse esquema foram posteriormente apreendidas em operações policiais contra o crime organizado. Os investigados poderão responder por crimes como organização criminosa, inserção de dados falsos em sistema de informação, corrupção passiva, falsidade ideológica, uso de documento falso e comércio ilegal de armas de fogo.


