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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se prepara para colocar o ponto final definitivo na trajetória política de Cláudio Castro. A Corte dará início ao julgamento dos últimos recursos apresentados pela defesa do ex-governador do Rio de Janeiro no processo que resultou na sua condenação e consequente inelegibilidade. O caso, que ficou amplamente conhecido como o “Escândalo do Ceperj/Proderj” — e apelidado nos bastidores políticos como o “Escândalo do Master” devido ao volume de saques na boca do caixa —, foi o estopim que implodiu a liderança do antigo chefe do Executivo fluminense.
O Peso do “Escândalo do Master”
A investigação que baniu Castro das urnas apontou um esquema sofisticado de desvio de recursos públicos por meio de projetos da Fundação Ceperj (Centro de Estatísticas, Estudos e Pesquisas do Rio de Janeiro) e da startup Proderj. O modus operandi consistia na criação de milhares de cargos fantasmas e na contratação de “projetos” de fachada.
O grande diferencial desse escândalo, que chocou a opinião pública, foi a materialidade: funcionários contratados sem critérios técnicos faziam filas em agências bancárias para sacar parcelas polpudas de salários em dinheiro vivo. Estima-se que centenas de milhões de reais tenham sido movimentados nessa estrutura paralela, utilizada, segundo a acusação, para inflar bases eleitorais e garantir apoio político nas eleições que reelegeram Castro.
O Último Ato no TSE
A análise dos embargos e recursos na Corte Eleitoral é vista por juristas e cientistas políticos mais como uma formalidade técnica do que como uma real chance de virada de jogo. Historicamente, o TSE mantém uma postura rígida em casos de abuso de poder político e econômico com provas robustas de saques em espécie.
Para Cláudio Castro, este julgamento representa o encerramento formal de suas aspirações públicas. Uma vez esgotados esses recursos, a decisão transita em julgado no âmbito eleitoral, consolidando o hiato forçado de sua participação em pleitos por oito anos.
O Impacto no Tabuleiro Fluminense
O esvaziamento político de Castro já reverbera fortemente no Rio de Janeiro. O estado, que historicamente sofre com a instabilidade de seus governantes — acumulando uma lista de ex-chefes do Executivo presos ou cassados —, vê agora uma intensa dança das cadeiras entre partidos de centro e direita. Grupos que antes orbitavam em torno do governador já migraram para novas lideranças, deixando o espólio político de Castro praticamente zerado.
O desfecho no TSE não é apenas o julgamento de um homem, mas o sepultamento de um modelo de governança que implodiu diante das câmeras de segurança das agências bancárias cariocas.


