O clima político entre o governo federal e o governo de Santa Catarina ganhou mais um capítulo tenso. O governador catarinense, Jorginho Mello (PL), rebateu duramente as declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), chamando-o de “cara de pau”. A reação veio após Lula afirmar publicamente que o chefe do Executivo de SC teria recusado um investimento federal de R$ 24 bilhões destinados ao estado.
Segundo Jorginho Mello, a narrativa apresentada pelo presidente distorce a realidade dos fatos. O governador assegurou que o montante bilionário mencionado não se tratava de verba direta ou repasse a fundo perdido do Orçamento Geral da União para obras de infraestrutura, mas sim de um pacote de concessões rodoviárias.
“É muita cara de pau dizer que recusei dinheiro. O que eles queriam era enfiar um projeto de concessão para pedagiar as nossas estradas estaduais, jogando a conta no bolso do catarinense. Isso eu não aceito”, declarou o governador.
O cerne da disputa: Investimento público vs. Pedágios
A divergência central gira em torno do modelo de desenvolvimento da infraestrutura local. Enquanto o governo federal contabiliza as propostas de parcerias público-privadas (PPPs) e concessões como investimentos viabilizados para o estado, a gestão estadual de Santa Catarina adota uma postura de forte resistência à proliferação de novas praças de pedágio em rodovias que cortam a região, alegando que o modelo onera excessivamente o setor produtivo e os cidadãos.
Jorginho Mello reiterou que o estado segue aberto a repasses diretos e parcerias que busquem a duplicação e restauração das estradas federais (BRs) que cruzam Santa Catarina — que historicamente sofrem com problemas de manutenção —, mas que não abrirá mão da autonomia das rodovias estaduais (SCs) para modelos que penalizem o bolso do motorista local. Até o momento, a Secretaria de Comunicação da Presidência não emitiu uma nova tréplica sobre os termos do projeto citado.


