Escaneamento de íris: “Me sinto lesada”, diz publicitária que fez coleta

Em Foco

30/01/2025 - 17:51:00 | 3 minutos de leitura

Escaneamento de íris: “Me sinto lesada”, diz publicitária que fez coleta

A empresa Tools for Humanity, que oferece o serviço de escaneamento de íris em troca de criptomoedas, informou que cerca de 500 mil pessoas já fizeram o procedimento na cidade de São Paulo. Na última sexta-feira (24), a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão do pagamento pela coleta de íris dos cidadãos no Brasil. Segundo a ANPD, o tratamento de dados pessoais feito pela Tools é “particularmente grave”. A Coordenação-Geral de Fiscalização afirmou que não há possibilidade de exclusão dos dados biométricos já coletados, além de não haver reversão da revogação de consentimento. Em nota, a empresa informou que os representantes do projeto estão em contato com a ANPD desde o início das operações, em novembro de 2024. A publicitária Mayara Rodrigues, de 28 anos, contou que ficou sabendo sobre o processo de “venda de íris” por meio de um amigo. “Tinha algumas pessoas conhecidas dele fazendo um reconhecimento facial através da íris e ganhavam algum dinheiro em troca disso, e me indicou baixar o aplicativo para fazer também”, disse. Ela afirmou que pesquisou rapidamente sobre o assunto e viu que outras pessoas estavam realizando a coleta. “Resolvi fazer também e indicar para alguns familiares”. Apesar das pesquisas, Mayara relatou que não sabe, até agora, como funciona e para que serve a informação. Na conversa, a publicitária disse que fez a coleta em novembro de 2024 –quando começaram as operações– em um posto da Tools no Shopping Boulevard Tatuapé, na zona leste da capital paulista. “Resumindo eles falam que aquela leitura é para mostrar que você é realmente um humano, e que o aplicativo te gera a recompensa por você ter ido fazer esse reconhecimento”, contou. No relato, a publicitária disse que após publicar um vídeo em uma rede social –que já bateu cerca de 1,2 milhão de visualizações– pessoas do Brasil e de outros países a alertaram sobre o risco. “Hoje minha sensação sobre isso é de muita preocupação. Me sinto lesada e o pior, com dados extremamente sigilosos e pessoais que podem estar em risco”. A “recompensa” para a publicitária foram 50 “Worldcoin token”, uma criptomoeda que pode ser sacada em real. A profissional disse que as pessoas que realizam a coleta têm direito a um saque por mês, durante o período de um ano. Desde que realizou o procedimento, Mayara já realizou dois saques, que totalizaram R$ 400. A cotação do “Worldcoin token” varia, por essa razão, o valor final que ela pode receber é incerto. De acordo com a publicitária, ela tentará contato com a empresa para encerrar o vínculo com a plataforma. “Estou tentando achar um caminho para que meus dados sejam excluídos do aplicativo”, afirmou.