Infarto, AVC e outros quadros são ligados ao uso indevido de implantes hormonais

Saúde

18/10/2024 - 12:33:00 | 2 minutos de leitura

Infarto, AVC e outros quadros são ligados ao uso indevido de implantes hormonais

O uso indevido de implantes hormonais manipulados e esteroides pode estar relacionado a 257 casos de complicações de saúde e duas mortes no Brasil. É o que revela o levantamento realizado por sociedades médicas. Intitulado “Vigicom Hormônios: Observatório do Mau Uso de Hormônios “, os dados demonstram um cenário alarmante sobre os riscos associados ao uso inadequado de hormônios, principalmente para fins estéticos. O Vigicom Hormônios é uma plataforma que busca quantificar os efeitos adversos do mau uso de hormônios, desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO) e o Programa “Bomba Tô Fora”, em parceria com a Associação Médica Brasileira (AMB).

Através da ferramenta, médicos podem relatar o mau uso de hormônios, como para fins estéticos e sem indicação ética e comprovação científica. De acordo com o levantamento, do total de casos reportados, 45,9% são de pacientes usando implantes hormonais manipulados, sendo a maioria mulheres (63), com uma média de 42,9 anos. Outros 34% estavam relacionados a hormônios de uso intramuscular. Um dos tipos de implantes hormonais manipulados mais comuns para esse fim é o “chip da beleza “, prescrito como estratégia para emagrecimento, tratamento da menopausa, antienvelhecimento, redução da gordura corporal, aumento da libido e da massa muscular. Esses implantes podem conter inúmeras substâncias, embora normalmente sejam compostos por testosterona ou por gestrinona, um progestágeno com efeito androgênico. Combinações contendo estradiol, oxandrolona, metformina, ocitocina, outros hormônios e NADH também são produzidas. Os implantes hormonais não são aprovados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para uso comercial e produção industrial. Além disso, não possuem bula ou informações adequadas de farmacocinética, eficácia ou segurança.