Justiça da França condena homem que submetia esposa a estupros coletivos

Em Foco

20/12/2024 - 08:34:00 | 2 minutos de leitura

Justiça da França condena homem que submetia esposa a estupros coletivos

Dominique Pelicot confessou no julgamento que colocava sedativos na bebida e na comida da agora ex-mulher – para ela dormir por horas. Segundo a investigação, depois, num site de encontros, ele convidava outros homens para estuprar a esposa desacordada. Dominique também a estuprava. Ele pedia sempre que os homens não fumassem nem usassem perfume, pra não deixar cheiro no quarto e levantar suspeita. O marido filmava os estupros. Os lapsos de memória fizeram a vítima, Gisele Pelicot, achar que estava com Alzheimer ou um tumor no cérebro. Dopada, ela não se lembrava de nada. Só descobriu tudo em 2020, quando o então marido foi preso por importunação sexual contra outras mulheres. Na época, a polícia apreendeu um computador dele e encontrou 20 mil vídeos e fotos de Gisele sendo estuprada. Ao todo, ao longo de 10 anos, foram 92 estupros. 72 homens diferentes. Ontem (19), os cinco juízes condenaram Dominique a 20 anos de prisão. Era a pena máxima que os promotores vinham pedindo. A Justiça também considerou os outros 50 réus culpados de estupro, tentativa de estupro ou agressão sexual. O mais jovem está na casa dos 20 anos. O mais velho tem mais de 70. Instituições de direitos das mulheres criticaram as sentenças de alguns dos abusadores. As organizações, assim como a promotoria, queriam que eles ficassem mais tempo na cadeia. Mas o sentimento geral é de que as condenações do maior julgamento por estupro na França foram históricas. E essa história teve um aspecto que chamou muita atenção – destaque no mundo inteiro. Gisele renunciou ao direito ao anonimato, garantido em lei para proteger a vítima. Ela escolheu ter nome e sobrenome divulgados. Escolheu mostrar o rosto. Disse que queria que a vergonha trocasse de lado – da vítima para os estupradores. Virou símbolo da luta de mulheres vítimas de violência. Na porta do tribunal, agradeceu pelo enorme apoio nos últimos meses. Gisele explicou que decidiu vir a público porque acredita numa transformação coletiva.