Vitória de Trump e tensões com China podem beneficiar exportações do Brasil, dizem especialistas
Em Foco
07/11/2024 - 12:14:00 | 3 minutos de leitura

O setor exportador considera a vitória de Donald Trump potencialmente positiva ao mercado brasileiro, dizem analistas ouvidos na terça-feira (5), após a confirmação dos resultados. O futuro presidente dos Estados Unidos adotou um tom protecionista sobre a política econômica ao querer fomentar emprego e indústria, em detrimento das compras internacionais. Especialistas em comércio exterior afirmam que a medida deve ter mais efeitos sobre a China, criando uma janela de oportunidade para exportadores brasileiros, principalmente o agronegócio. “Hoje, as principais commodities exportadas são o café, suco de laranja, derivados da cana-de-açúcar e carne bovina, que podem ser beneficiados caso a economia deles esteja positiva em 2025, o que é possível devido à promessa de isenções e incentivos fiscais prometidos por Trump para girar a economia ao curto prazo”, diz Mario Scangarelli, CEO da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços do Brasil (Cisbra). Para o especialista, o cenário é positivo pela posição anti-China adotada pelo futuro presidente republicano, que deve abrir uma necessidade no mercado para suprir a necessidade na cadeia produtiva caso medidas de tarifação aconteçam. Já Gustavo Cruz, economista da RB Consultoria, pontua que o cenário é de otimismo, porém o risco de uma guerra comercial entre os países pode abrir um quadro de estagnação econômica entre as potências, o que seria negativo para as exportações brasileiras. “A China tem feito investimentos em outros países para evitar situações de guerra comercial como essa, sendo o México um exemplo disso, devido à facilidade de escoamento para o mercado americano. Apesar de ter elementos que possam ajudar as exportações brasileiras, essas manobras para escapar da taxação é um fator a ser considerado.” Na ponta oposta, os analistas também citam segmentos que podem se prejudicar com as decisões protecionistas do republicano. Entre as propostas de Trump, está uma tarifa global de 10% sobre todas as importações, que poderia impactar as principais exportações do Brasil para os EUA. Entre eles, o aço semiacabado. Cruz explica que historicamente há uma proteção ao setor siderúrgico dos EUA, e que possivelmente o novo governo não será diferente. “As medidas de tarifação são feitas para barrar a China, mas desenvolvidas como retaliação a todos. O próprio Biden sente essa pressão do setor estadunidense de aço por ser uma indústria com histórico muito forte nos EUA.” A China é a maior exportadora de ferro e aço para os EUA, e uma taxação pode levar a um desequilíbrio entre oferta e demanda, impactando os preços do produto caso não haja regulação de oferta, segundo relatório da XP Investimentos.
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